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Atenção, todos os textos tem apenas um capitulo cada e estão na sequencia, não há links.
Indice:
Retrosexo (poesia)
Sensual na noite
Estrela cadente
Dr. Obscuro
Dona Aninha e seus vários maridos
Poderosa
O todo poderoso
A volta dos que não foram
Maximo
Retrosexo: (poesia)
Esperando pelo teu sexo,
vivo um retrosexo,
voltando sempre atrás.
E, se volto... só pode ser atrás
que, de frente, já não satisfaz.
E já nem sei mais o que espero de ti
Além de poesia,
uns toques na maresia,
palavras ao vento,
sexo sedento...
E beijos serenos...
Ao amanhecer...
By Lou de Olivier
Sensual na noite... (conto sensual)
A musica lenta, ritmada, romântica, um convite ao prazer. Suas unhas longas pintadas de vermelho e purpurina podiam percorrer seu corpo, causando as mais deliciosas sensações. Da sua boca carnuda e vermelha poderia emitir sons, gemidos palavras sensuais, porém, calou-se. Apenas viver o momento já era suficiente.
Aquela dança que tanto ensaiara deveria começar, o ritmo mudou, batidas ritmadas e fortes invadiram o ambiente ao mesmo tempo em que seus braços e mãos se movimentaram em ondulações e, em seguida, seu peito e ventre... Numa sintonia perfeita as ondulações passaram pelo seu corpo e sua cabeça movendo-se graciosamente, todo esse movimento encaixando-se à musica como se fossem apenas parte do cenário. A perfeição!
As moedas do cinturão, colares e pulseiras tilintavam ao ritmo sensual de seu corpo e ela sentia-se flutuar. Era bela, tão bela quanto inatingível, tão sensual quanto perigosa, tão amada mas, ao mesmo tempo, temida...
Era uma mulher especial, como jamais houve ou haverá outra sequer semelhante. Filha do vento, dona das tempestades, aliada do tempo e conhecedora de todas as dimensões... Impossível conhecê-la sem amá-la, impossível amá-la sem eternizá-la.... E, ao eternizá-la significaria o fim...
Então só restava a ela dançar, ser sensual na noite, ambas solitárias, ela e a noite... Na escuridão, era apenas mais uma estrela, a mais bela e sensual em sua dança... Em seu amor secreto e único...
A musica encerrada, os gestos paralisados lentamente... A janela se abriria para um novo amanhecer...
FIM
By Lou de Olivier
Estrela cadente (conto erotico de Lou de Olivier) escrito em 03/12/2003
O mundo parecia tão pequeno, girando em torno de sua mente cansada e meio alcoolizada. Não bebera tanto assim, apenas três drinques e tinha que levar em conta que havia derrubado metade do terceiro drinque.... Foi na hora de apagar a velinha, ou melhor, o celular. Tinha esquecido totalmente de comprar uma vela para apagar durante o corriqueiro "parabéns a você", ai uma amiga acendeu o celular, cantaram e, quando ela foi apagar o "celular" assoprando-o, derrubou seu drinque... Mesmo assim, estava meio alcoolizada, a idade e tantas desilusões a tornaram mais fraca para bebidas do que alguns anos antes... Antigamente podia beber mais sem sequer demonstrar...
O último amigo saiu e ela subiu a escada descalça como sempre fazia, em seguida, teve que descer para tomar um pouco de refrigerante e ver se o mundo parava de girar um pouco. Encantou-se com seu sapato vermelho deixado displicentemente no inicio da escada, contrastando com a brancura do piso e das paredes. Tudo tão branco e aquele sapato vermelho jogado no inicio da escada parecia uma obra de arte...
Cambaleante, tentava ouvir a música, mas seu pensamento estava muito longe... Aquele homem que ela mal conhecia, que nem tinha tanta importância de verdade na vida dela ainda povoava sua mente...
Não queria muita coisa, não pensava em casar, namorar, talvez nem ter um caso, só queria conhecer o sabor dele. Queria saber como ele era nu, se tinha pelos no peito, nas costas, se beijava bem, se suas carícias seriam inesquecíveis ou apenas sofríveis, se seus beijos eram quentes e sensuais ou apenas normais, se ele seria capaz de ama-la pela noite toda ou apenas um sexo básico e sem amanhã...
Só queria sentir o gosto daquele homem, queria ver novamente seu rosto, queria sentir suas mãos passeando pelo corpo dela e tirando sua roupa, enquanto beijava sua boca e descia, provocantemente, pelo seu pescoço, seios, ventre, quadris... Queria sentir o peso dele, esmagando o corpo dela e dominando-a totalmente, queria sentir a força da penetração dele, seduzindo-a enlouquecidamente e gemendo entrecortadamente em seu ouvido...
Ou então, queria mais é domina-lo. Amarra-lo em sua cama, deixa-lo totalmente inerte para beija-lo, lambe-lo, chupa-lo inteiro, cada milímetro do corpo dele e deixa-lo louco de excitação. E brincar com isso, venda-lo e deixa-lo sem saber se iria até o fim, sentando-se em cima de seu órgão ereto e quente ou se desistiria deixando-o a aguardar por ela a noite toda, vendado, inerte, excitado e sedento...
Queria qualquer coisa desde que fosse com esse bendito homem que, há tanto tempo povoava sua mente, mas ele nunca vinha. Tinha, novamente, esperado em vão por ele... Até pensou nele por um tempo, na esperança de que ele viesse, ao menos, para um drinque virtual, mas não o sentiu com ela. Talvez ele até tenha vindo virtualmente, mas ela, em companhia dos amigos, bebendo e rindo muito, talvez não tenha sentido a presença dele com a força que precisava para, de fato, tomarem aquele drinque virtual juntos...
Nenhum outro homem parecia ser atraente a ela, somente esse era fruto de seu desejo e foi pensando assim que ela subiu novamente a escada, do alto, olhou novamente aquele par de sapatos vermelhos jogado displicentemente naquele piso tão branco... Como o sangue dela que escorria por suas pernas alvas, denunciando que o absorvente interno havia vencido...
Um vampiro, era o que ela queria que ele fosse naquele momento, um homem vampiro para sugar o sangue dela que escorria por suas pernas alvas... Como cerejas do drinque derramado, tão doce e puro como seu amor... Em arrepios de muito prazer... Essa foi só uma noite a mais sem amor, sem que esse homem se aproximasse de verdade...Ainda restava a noite de terça-feira e ela ainda esperaria por ele para conversar, quem sabe uns beijos, carícias e um pouco de sexo esparramado no banheiro daquele bar, onde pretendia encontra-lo...
Ela ainda esperaria por ela na terça-feira quando, quem sabe, finalmente, ela pudesse saber se ele tinha pelos nos peito, se era pesado, se sabia pressionar uma mulher até a exaustão, se a seduziria de forma inesquecível, se ele seria capaz de ama-la ali mesmo no banheiro do bar e se isso o tornaria inesquecível de verdade para ela...
Ainda esperaria pela terça-feira que poderia ser o inicio de seu grande romance, ou apenas a constatação de que nada era de fato ou, quem sabe ainda, poderia ser apenas mais um dia de espera em vão... Ela ainda esperaria por ela na próxima terça-feira...
FIM
© Lou de Olivier 19/02/06
Dr. Obscuro. (conto romantico)
Fictício Obscuro era um clínico geral recém formado que, apesar de bonito, sempre passava despercebido por que estava sempre em silêncio. Era do tipo que entrava mudo e saía calado e, mesmo que, a princípio, atraísse atenções, sua ausência de diálogo logo afastava as pessoas. Ana já é nossa personagem conhecida de muitas outras aventuras e dispensa apresentações.
Ana, necessitando cuidar da saúde, foi consultar-se com o Dr. Fictício e logo notou sua grande beleza e, na sua ingenuidade, Ana achou que o médico era tão calado por pura timidez. E foi assim, iludida, que Ana iniciou um longo tratamento.
Ela estava numa fase ruim, muito carente, com sua vida amorosa bem confusa e, por isso, apegou-se ao médico, a cada sessão, ela abria-se muito, contava detalhes íntimos de sua vida e personalidade e fazia muitas perguntas, tentando conhecer o médico um pouco melhor. Mas ele limitava-se a responder o que ela perguntava e sempre de forma resumida e pouco clara. E assim, passaram-se os meses.
Ana, cada vez mais carente e intrigada com o silêncio do médico, passou a levar-lhe alguns presentes e continuou abrindo-se muito, contando-lhe segredos e confiando cegamente nele. Às vezes, Ana pensava que o silêncio dele deveria ser por não gostar dela ou então por ele ter lutado muito para formar-se em Medicina, o que, aliás, só conseguiu depois dos trinta anos, quando a maioria das pessoas, forma-se na primeira faculdade com seus 25 anos. Talvez fosse isso, o Dr. Obscuro não queria nada que o desviasse de seu objetivo, que era uma especialização em cardiologia.
Ana sentia-se intrigada, pois, em alguns momentos, o médico aproximava-se, mas nada declarava, em outros, ela insistia num contato, mas bastava dizer algo mais intimo ou aproximar-se dele que ele já começava a tremer, engasgar-se e mudava tanto de cor que parecia que ele próprio, precisaria de um cardiologista. Ele começava ficando rosa, avermelhando e, se Ana insistia numa proximidade ou em palavras mais profundas, o rosto dele arroxeava de tal forma que Ana até se assustava. Pensava que, se insistisse, ele teria um infarto fulminante e ela se culparia para o resto da vida então, nesses momentos, ela se afastava.
Às vezes, Ana escrevia-lhe um bilhete ou carta, dizendo que iria embora, não suportava mais aquele silêncio e, simplesmente, sairia da vida dele, como se algum dia ela tivesse entrado... Mas, nesses momentos, o médico corria atrás dela, ali mesmo pelo saguão do hospital, a chamava pelo nome e, sentindo seu coração disparar, Ana voltava-se esperando pela declaração de amor e pelo beijo apaixonado ali na frente de todos. Mas, contrariando as expectativas, o Médico limitava-se a perguntar-lhe se não queria beber algo antes de ir, repetia desesperadamente se ela queria "água" ou "café" e, trêmulo, a servia, sempre derrubando mais da metade do líquido de tanta tremedeira, diante de Ana...
Isso a intrigava muito, afinal, se era só timidez, Ana fazia tudo para dar-lhe segurança, dizer que gostava de verdade dele e que gostaria de tentar um entendimento, mas ele nunca tinha tempo para sair com ela, sempre tinha alguma desculpa e ela já andava desanimada.. Ana resolveu terminar de vez um namoro que já não tinha mais condições de seguir e, assim, ficou mais carente ainda, agora estava, de fato, sozinha e, mais do que nunca precisava que o médico tomasse uma decisão, mas ele se fechava cada vez mais.
Ana descobriu o endereço dele, ao menos, era o endereço que ele divulgava e fornecia em cadastros e em documentos. Encheu-se de coragem e foi procura-lo, pretendia encontra-lo num ambiente mais descontraído e resolver logo a questão ou tentavam uma relação ou já esqueciam logo esse impasse mas, qual não foi sua surpresa ao ver que o endereço fornecido pelo médico ficava justamente num movimentado cruzamento de um bairro central da cidade. Ela pensou que fosse engano, checou novamente, mas era isso mesmo, o médico fornecia um endereço frio. Apaixonada, ela negava-se a admitir que houvesse algo errado, pensou que deveria ser engano e não deu maior importância ao fato.
Recebeu um telefonema estranho, era uma mulher dizendo-se namorada do médico e exigindo que Ana o deixasse em paz, dizia ela que foi o próprio medico que pediu a ela que ligasse. Apesar de ter acabado de sair do consultório do médico, Ana voltou, entrou e foi logo perguntando se ele havia pedido que alguém ligasse para ela. Surpreso, ele desmentiu, não havia pedido a ninguém que ligasse, comentou que, se quisesse dizer-lhe algo, diria, não mandaria ninguém. Admitiu ter uma namorada, mas...
Calou a frase nesse "mas", talvez fosse dizer que a namorada nada significava ou sabe-se lá o que, mas calou e foi a última palavra que Ana ouviu do calado médico. Muito magoada pela "traição", Ana escreveu-lhe um bilhete curto, entregou-lhe e saiu de sua vida disposta a nunca mais vê-lo...
Quatro anos se passaram e Ana já nem lembrava da existência desse médico, quando o encontrou num site perdido na Internet. Aliás, se há um lugar onde se encontra tudo o que se procura e até o que não se procura, é a Internet. Pois bem, lá estava Ana navegando tranqüilamente, quando encontrou uma página do médico, com um bebê no colo, outros bebês em fotos espalhadas pelo site e um amontoado de elogios que, a principio, Ana nem entendeu direito. Ele estava sendo elogiado como agente secreto, aliás, uma estratégia burra, pois, se a intenção era ser um grande agente secreto, abrir isso na Internet quebrou totalmente o esquema dele.
Espantada, Ana seguiu lendo os comentários sobre o médico, era visto como um herói, alguns comentários citavam sua destreza em resgates arriscados de vitimas e em missões quase impossíveis. E, ali, cercado por elogios e criancinhas, o médico nem parecia aquele ser tímido que Ana tanto desejara ter nos braços tempos atrás... No site dizia que ele também havia se formado em cardiologia, conseguira realizar seu sonho. Suspirando, Ana pensou que ele tanto quis estudar e curar corações, no entanto, nesse trajeto, pisoteou justamente o coração que menos merecia ser magoado, o dela....
Ana enxugou uma lágrima, ficara sabendo de toda a estória por outros meios e tanto tempo depois, quando seria tão mais simples se ele próprio tivesse confiado nela e dito quem ele era de verdade... Mas, afinal, quem seria ele de verdade? Quem de nós pode afirmar com convicção quem realmente é no seu mais intimo ser? Um médico tímido que esconde o brilhante agente secreto deve ser apenas mais uma identidade dúbia como o super homem, o homem aranha ou outro qualquer. Esse é apenas o Dr. Fictício Obscuro, somente mais *uma personagem de estórias em quadrinhos que resolveu invadir a realidade da vida da doce, sensível e transparente Ana...
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas ou fatos da vida real terá sido mera coincidência...
* Ao contrário do que se diz, o termo personagem é feminino e não há versão masculina para o termo. Mais informações nos workshops de teatro e psicodrama ministrados regularmente pela Dra. Lou, informe-se neste mesmo site em Fale Conosco.
FIM
By Lou de Olivier
Dona Aninha e seus varios maridos (conto de Lou de Olivier)escrito em 30/10/2004
Era uma vez uma jovem, não tão jovem assim... Teoricamente já deveria ser tratada como uma senhora, mas seu rosto luminoso, seu sorriso espontâneo, revelando marotas covinhas, seu corpo bem delineado, sua pele macia... Enfim, tinha tantos predicados que mais parecia uma adolescente dançando a vida... Tinha tido alguns namorados, alguns casos, alguns somente paqueras, que ela ia descartando, deixando pelo caminho sempre à procura de seu homem ideal (?).
Os ex, inconformados, sempre pediam para voltar, mas ela seguia firme, decidida a encontrar o homem de sua vida. Até que, um dia, aconteceu... Encontrou seu grande amor. Um homem lindo, sensual, bondoso, carismático, enfim, o homem que ela esperara pela vida toda. O problema é que todas as outras mulheres do mundo pareciam achar a mesma coisa e ele vivia às voltas com tantas cantadas e convites que nunca tinha tempo para encontrar-se com a dona Aninha...
Ela passou meses fazendo tudo para que ele a notasse. E até que ele notava, mas logo notava um bando de outras mulheres e acabava tudo na base do dito pelo não dito... Mas, apesar de não saírem juntos, o rapaz era sempre muito atencioso com a nossa protagonista. E, em troca de sua atenção e alguns favores, dona Aninha lhe dava presentes e mimos. Não que ele pedisse, mas também não reclamava ao recebê-los...
Um dia, toda agradecida por um grande favor prestado pelo rapaz, que serviu para ela economizar um bom dinheiro e ainda evitar um grande transtorno, dona Aninha resolveu dar o golpe de misericórdia, comprou todos os apetrechos e ingredientes e ela mesma confeccionou uma linda cesta. Dentro colocou todos os ingredientes para um inesquecível café da manhã, com direito a perfume, óleo perfumado para banho e algumas camisinhas que ela esperava que ele usasse com ela, claro!
O pessoal do escritório onde o rapaz trabalhava já a olhava meio torto, quando aparecia procurando por ele, então ela resolveu ligar e perguntar se havia algum endereço onde seu presente fosse entregue com mais privacidade. Era um sábado e ela só poderia encontra-lo no celular. Então ligou, caiu na caixa postal. Ligou mais tarde, caixa postal... Desanimada, resolveu fazer uma nova tentativa no dia seguinte. Não demorou muito, o celular dela tocou. Viu o número no visor e a voz que disse alo era dele... Atendeu toda feliz, mas não é que o palhaço desligou?!. Talvez por timidez ou por não tê-la ouvido do outro lado da linha ou, quem sabe, com tantas cantadas que vivia levando não tivesse ligado para ela por engano???
Dona Aninha, muito chateada, ficou questionando se deveria dar-lhe aquele presente apetitoso e erótico ao mesmo tempo... Estava pensativa, quando seu telefone tocou. Era um ex, que ela não via há mais de seis anos, convidando-a para tomar um drinque e "lembrar dos velhos tempos". Ela recusou. Foi tomar um banho, nem bem ligou o chuveiro, o telefone tocou novamente. Era outro ex, dizendo-se apaixonado e querendo voltar...
- Já se passaram uns cinco anos... (disse ela, meio incrédula)
- Mas para mim parece que foi ontem, meu eterno amor. (respondeu melosamente o ex)
Ela recusou também este ex, mas logo outro ligou e foi logo perguntando se poderia passar na casa dela. Ela disse que estava de saída e o rapaz disse que voltaria a ligar para marcar um encontro pois estava louco de saudades dela... Dona Aninha desligou o fone fazendo as contas de quanto tempo havia passado longe deste ex, no mínimo uns três anos...
Ela não conseguia entender porque tão de repente seus ex resolveram ligar. Entrou num demorado banho e, do chuveiro podia ouvir o telefone tocando insistente. Provavelmente algum outro ex enlouquecido de amor repentinamente nostálgico... Ela imaginou que deveria ser uma dica do destino. Tantos homens apaixonados por ela e ela sendo apenas mais uma correndo atrás daquele deus grego que, definitivamente, não parecia querer nada com ela. Saiu do banho com muita fome e, olhando para aquela grande e apetitosa cesta, não teve dúvidas. Pôs-se a comer todas as deliciosas guloseimas...
Também usou o óleo para banho e o perfume. Só não usou as camisinhas por motivos óbvios. Estas ela guardou para uma ocasião especial talvez com um dos ex que tanto queriam voltar. Não sabia ainda qual deles escolheria. Pensou que poderia fazer um concurso. O ganhador seria brindado com uma inesquecível noite de amor...
E assim termina a estória de dona Aninha e seus muitos maridos. Aquela que teve todos e nenhum ao mesmo tempo. Aquela que sempre amou quem não lhe pertencia e descartou quem a queria. Aquela que, mesmo errando muito, acertou em cheio conquistando definitivamente o coração dos homens que passaram pela vida dela... FIM
© Lou de Olivier 30/10/04
Poderosa... (conto de Lou de Olivier)
Sabe aqueles dias em que parece que somos uma aberração da natureza? Nos olhamos no espelho e parece que nada se encaixa.. O rosto parece meio desproporcional, os olhos meio inchados da noite mal dormida, a pele sem muito brilho e o cabelo então, parece que nenhum fio consegue parar no lugar... Mas é impressionante como é justamente neste dia que atraímos muitas atenções e, se nos atirarmos ao imprevisto, corremos o risco até de encontrar um grande romance ou então uma encrenca enorme... Ao menos, comigo acontece de vez em quando... Como hoje aconteceu...
Com a maior vontade de ficar em casa e continuar perdendo a hora até amanhã, olhei mil vezes no espelho, passei uma maquiagem, lavei o rosto achando que estava melhor de cara lavada e foi assim que saí, atrasadíssima por sinal. Deveria participar de três reuniões, sabia que só chegaria a tempo na terceira, mesmo assim, fui.
Enfrentei uma chuva que mais parecia dilúvio, enxurrada enorme e lamacenta, trânsito lento, um desespero. Acabei chegando atrasada e mais desgrenhada do que quando sai. Logo ganhei o apelido de "cabelão", e devo concordar que meu cabelo estava mesmo um cabelão, ou quem sabe, um "descabeladão".
E foi com muita surpresa que notei que todos na reunião, especialmente os homens me olhavam muito. A principio, achei que estivessem me achando estranha ou feia, mas, saindo da reunião, ao parar num supermercado para fazer um lanche rápido e seguir, logo um jovem aproximou-se, digo jovem por que deveria ter uns vinte anos, no máximo. Ou então é desses homens que conseguem chegar aos quarenta com carinha de bebê. Que inveja deles!
Foi logo dizendo aquelas bobagens que ninguém merece, mas, no fundo, é uma delícia de ouvir:
- O que uma gata como você está fazendo sozinha neste supermercado?
- Sabe que não sei?!. Eu estava no aeroporto internacional embarcando para a Europa, e, de repente tudo girou e me vi aqui neste supermercado...
Concordo que fui engraçada, mas o rapaz também não precisava engasgar-se de tanto rir. E foi quando ele se engasgou que uma mulher, aparentando uns trinta anos aproximou-se, sorriu e sussurrou...
- Quer levar cantada de moleque ou quer conhecer um homem de verdade?
Bom, dessa vez fui eu que engasguei e tratei de sair rapidinho. Afinal, a mulher até que era bem bonita, mas, não encaixa. Mulher com mulher, simplesmente não encaixa... Nada contra quem gosta, mas não faz meu gênero...
Sai dirigindo distraída, ao parar num farol notei um homem, bonito, dos cabelos castanhos bem claros, me olhando muito, estava num carro cinza metálico e vestido todo de branco, sem querer, sorri largamente e, em seguida, desviei o olhar, outro também me olhava, mas, dessa vez, não sorri até por que o outro para o qual eu havia sorrido já estava piscando, jogando beijos e, assim que o farol abriu, emparelhou seu carro ao meu fazendo tantos sinais e jogando tantos beijos que parecia estar tendo algum ataque...
Acelerei e, nessas alturas eu já fugia dos dois paqueras do farol. Um deles, o mais feio, ao tentar me alcançar subiu na ilha e quase atropelou umas pessoas, mas, ao menos, tive tempo para afastar-me. O outro, do sorriso e sinais deu mais sorte, conseguiu me acompanhar de perto e, por mais que eu corresse, ele estava sempre ao meu lado. Logo cheguei na entrada da rua que leva à minha casa, virei pela esquina apressadamente e não é que o homem acompanhou-me? Olhei pelo retrovisor e lá estava ele fazendo sinal com os faróis e buzinando, pedindo para eu parar.
Por um momento, pensei em parar, mas corri mais ainda. Fiquei pensando que um homem que sai perseguindo uma mulher que nunca viu na vida ou está a fim de qualquer coisa ou pode ser algum maníaco ou sei lá o quê. Até por que, ultimamente, ando recebendo uns telefonemas pra lá de estranhos e não demorei para ligar os fatos e imaginar que o tal homem deveria ser o autor dos telefonemas e...
Na hora nem lembrei que foi assim que meus pais se conheceram e, em seis meses, casaram-se. Foi meu pai avistar minha mãe para sair correndo enlouquecido seguindo os passos dela, mas na hora nem lembrei disso e voltando ao assunto...
Acelerei tanto que ele não pode acompanhar e, pelo retrovisor, vi quando ele parou o carro dele. Ainda deu uns sinais de farol, mas eu virei a esquina, louca para encontrar o vigia da rua. Nunca quis tanto encontrar o vigia que vive xeretando a vida de todos, naquele momento ele seria a pessoa mais importante para ser encontrada, mas não foi preciso que ele tomasse nenhuma providência, pois o homem do carro cinza havia mesmo desistido...
Entrei correndo em casa e a primeira coisa que fiz foi correr ao espelho.. Olhando-me, tentava ver o que, afinal, essa gente toda viu em mim e tanto quis conquistar... Mas eu continuava sentindo-me desajeitada, descabelada, sem nenhum atrativo. Foi ai que pensei que talvez seja isso mesmo que atraiu tanta gente. O meu ar meio desleixado, despenteada, beirando o selvagem. Olhando por esse lado, até que eu estava bem sexy mesmo... Lembrando, talvez, uma mulher meio indomada, incitando fantasias...
Ou vai ver que não era nada disso, atrai tanta gente, simplesmente por que, hoje, especialmente hoje, estou poderosa!!! Só isso.
E atenção: Essa não é uma obra de ficção, acabou de acontecer de verdade comigo. E, se você que está lendo, de repente reconhecer-se como personagem desse roteiro, tenha certeza de que é você mesmo e reze para que sua esposa não leia também esse meu relato, senão...
FIM
© Lou de Olivier 08/02/06
O todo poderoso - mega estória de amor de Lou de Olivier escrito em 29/04/2004
( publicado em diversos sites e jornais Brasil e Europa)
Ana desligou o telefone e suspirou desanimada. Há mais de um mês tentava, em vão, falar com André. Falar por telefone, ou agendar um horário, ou fazer algum sinal de fumaça que ele pudesse visualizar... Ela precisava de alguns momentos com ele para dizer coisas muito importantes, mas ele parecia sem tempo algum para ouvi-la...
Claro que Ana tinha mais o que fazer e não ligava a todo momento. Se o fizesse, talvez encontrasse uma "brecha" e, enfim, falasse com ele, mas ela não era do tipo que pega no pé. Durante o período, ligou somente duas ou três vezes e, em todas as vezes a resposta era a mesma; ele estava de agenda lotada e, no momento, não poderia atende-la sequer pelo telefone...
Dr. André era um mega executivo de uma mega multinacional, sempre ocupadíssimo. Se não estava em reunião, estava no comando de uma megafusão, megaoperação, megaqualquercoisaão... E Ana, que até era bem conceituada em sua área, também bastante ocupada, mas de alma nobre, não entendia o porquê de tanta indisponibilidade e de um esquema tão seguro para proteger um homem que nem famoso era...
Se Ana entendia ou não era irrelevante porque André era mesmo tratado como um mega star , cercado por seguranças vinte e quatro horas ao dia, com uma fila de secretárias disputando de forma acirrada a agenda dele e, quando a conseguiam, a exibiam orgulhosamente e nem mediam o que falavam para exprimir sua vitória. Uma moça que era secretária oficial dele e que atendeu Ana nos dois primeiros telefonemas chegou a dizer:
- Ele anda muito ocupado. Não tem previsão de horário para esse semestre...
- Para o semestre? Mas é muito importante que eu fale com ele
- Mas "nem eu" consigo falar com ele...
Talvez a secretária não tenha percebido, mas seu comentário foi bastante ofensivo, como se dissesse: "Eu que sou assessora direta dele não falo com ele, como é que você, uma verdadeira "nada" na vida dele irá falar?" Ana não deixou transparecer sua chateação com o comentário, apenas disse que daria uma lembrancinha para a secretária e pediu seu endereço para enviar pelo correio. Não, não era um suborno. Ana era mesmo "mão aberta", vivia doando tudo o que tinha, dando presentes e lembrancinhas a todos os que cruzavam seu caminho. Já havia presenteado a todos na recepção daquela multinacional, só faltava essa secretária e não lhe custava nada enviar-lhe algo pelo correio, já que, pessoalmente, lhe parecia impossível retornar lá...
Ela enviou, mas nem ficou sabendo o se a secretária gostou do mimo, pois, quando ligou novamente, ela já não mais estava no "posto". Depois da costumeira mega maratona da telefonista passando a ligação para a recepcionista, esta transferindo a ligação para a secretária geral e, finalmente, a secretária dele, foi outra pessoa que identificou-se como tal. Ana já a conhecia, até já tinha lhe dado um presentinho também. Era uma moça simpática e estava radiante com sua nova incumbência. Toda sorridente, ela garantiu que encontraria um horário para agendar Ana com o Dr. André. Ana agradeceu e já ia desligando quando a moça disse:
- Olha, qualquer coisa que a senhora tenha que tratar sobre o Dr. André, pode falar comigo. Agora eu é que estou com a agenda dele...
Ana sorriu, agradeceu e desligou. Não se incomodou com o comentário. Na verdade, entendeu que a moça, como também todas as outras funcionárias admiravam tanto o patrão que disputavam e exibiam sua agenda como um troféu... Para um mundo girando em torno de ícones, essa atitude era normal, mas para a espiritualizada Ana, parecia apenas uma disputa inútil... Ana começou a questionar se realmente precisava falar com André. Tinha assuntos importantes a lhe falar, mas eram mais do interesse dele do que dela... mesmo assim, enviou um email a ele dizendo que precisava muito falar-lhe. Era o segundo que enviava dizendo precisar falar com ele. Não havia respondido o primeiro, será que ele responderia o segundo?
Ana deu-se conta de que não tinha almoçado. Era quase hora do jantar e foi a um restaurante para seu merecido almoço. Servindo as mesas, entre outros garçons, um rapaz que lhe chamou a atenção pela grande semelhança com André. Ana o olhou por um bom tempo, era mesmo incrível a semelhança, pareciam gêmeos. Gêneros totalmente diferentes, André todo arrumadinho, de terno clássico, nenhum fio de cabelo fora do lugar, o garçom vestido de forma descontraída, cabelos longos amarrados, brinquinho de argola. Parecia a versão "pop" do Dr. André.
O garçom notou que Ana o olhava insistentemente, aproximou-se e perguntou se estava sendo bem servida, se queria mais bebida... Em pouco tempo, estavam conversando como velho amigos e, para evitar que o garçom fosse despedido por tagarelar durante o serviço, combinaram de sair logo mais quando ele terminasse o expediente. Ana terminou sua refeição, pagou e, logo, o garçom já estava liberado.
Saíram, conversaram, ele tinha uns erros de Português na fala e nenhuma moeda no bolso, mas era deliciosamente disponível e Ana sorriu animada porque aquela noite realmente prometia...
Depois dessa noite, Ana desistiu de agendar horário com o Dr. André, pois estava megaocupada com sua paixão gastronômica. Quanto ao Dr. André, dizem por ai, que ele, em um de seus megapasseios com os amigos, resolveu fazer uma corrida de iates. Apostou um barco pelo outro e mais: quem ganhasse passaria a noite com uma garota de programa que cobrava um real e noventa e nove centavos por hora...
A aposta era de "zoeira" mas ele já tinha bebido além do limite e, ao ganhar a aposta, transou e apaixonou-se perdidamente pela garota de programa. Desesperado de paixão, pediu-a em casamento e só sossegou quando, uma semana depois, o casal disse o "sim" diante do juiz e de meia dúzia de amigos megaboquiabertos.
A partir daí, o Dr. André arranjou foi uma megaconfusão porque a garota fazia programa por pura diversão e anunciou que não deixaria sua promissora carreira. A última vez em que o megaexecutivo foi visto, estava a beira do cais, bêbado, procurando sua esposa que havia saído com um marinheiro.
As secretárias do megaexecutivo agora andam pelos cantos, cada uma com uma agenda em branco, pois quem é que quer marcar horário com esse megachifrudo? Ironia do destino, se Ana ligasse agora, poderia escolher dia e horário, mas ela não liga mais não. Ela está ocupadíssima comprando seu megaenxoval, pois logo se casará com seu garçom que, sem dúvida é um megasortudo.
Ele ganhou sozinho na megasena acumulada, comprou o restaurante onde trabalhava, criou uma megarede de restaurantes e pediu sua amada em casamento. Agora ninguém segura esse megacasal...
FIM
© Lou de Olivier 29/04/2004
A volta dos que não foram...
Depois de andar por muito tempo pelo shopping, sem saber direito o que procurava, Soraya avistou uma vitrine tão linda que não resistiu e entrou pela grande loja de departamentos. Imediatamente, a música chegou aos seus ouvidos. Uma música muito antiga, dos anos 70, mais especificamente, do ano de 1978...
Ela suspirou ao mesmo tempo em que se via remetida ao passado, podia até sentir o cheiro do mar, o calor do sol, as muitas tardes de matinê e algumas noites na discoteca, isso depois de muito choramingo para as mães que relutavam em deixar suas virgens filhas passando noites em discotecas...
Tinha uma amiga inseparável, Renata e até pareciam irmãs, pois andavam sempre juntas e, naquela praia, eram já conhecidas como as futuras médicas. Soraya seria psiquiatra e Renata seria pediatra, ao menos é o que viviam dizendo... Até o dia em que se afogaram juntas, foram apostar corrida a nado, juntamente com mais três amigas e perderam a briga contra o mar que, naquela manhã, estava revoltado e arrastando tudo e todos para suas profundezas...
Foram salvas, mas a vida voltou diferente para elas. Soraya seguiu a vida tentando recuperar a parte dela mesma que ficou naquele mar para sempre e acabou se tornando uma grande escritora, Renata acabou tornando-se professora de matemática e as outras três amigas evaporaram pelo mundo após aquela triste manhã...
Ouvir aquela música, por alguns instantes fez Soraya desejar voltar aquele tempo mágico, pensou que, se não tivesse se afogado, seria uma psiquiatra, teria se casado, tido filhos e não teria hoje tanta solidão pois, apesar da fama e do status que tinha, no fundo era uma grande solitária, nunca se fixava numa relação amorosa, não tinha filhos e não conseguia estabilidade nem mesmo em sua carreira... Sua vida era uma grande montanha russa, em alguns momentos no auge do sucesso, em outros momentos esquecida em alguma avenida escura da cidade....
Foi quando notou que a música não havia mexido somente com ela.. Ao seu lado, duas mulheres que acabavam de se conhecer, iniciavam uma conversa enquanto esperavam para pagar suas compras. Uma dizia que seria a mulher mais feliz do mundo se pudesse voltar no tempo, nunca se casar nem ter filhos. E arrematou dizendo que, às vezes, sentia tanta vontade de largar marido e filho e sumir, ficando esquecida e sozinha com ela mesma. A outra dizia que só pensava em sair viajando pelo mundo, sem rumo, sem hora para nada, pois essa vidinha tão estável a deixava doente...
Soraya sorriu ao ouvir esses comentários. Aquelas mulheres queriam ser exatamente como ela era e achavam que seriam felizes assim. Mas ela se sentia tão infeliz desta forma... Não precisou pensar muito para entender que a felicidade parecia sempre estar do outro lado, a vida dos outros sempre pareceria mais prazerosa e não importava muito o caminho seguido, sempre haveria em cada ser a insatisfação e a vontade de ter feito tudo diferente. Numa eterna busca, numa espera insensata pela volta dos que não foram...
FIM
By Lou de Olivier 20/04/2007
Máximo:
Dedicado ao gato Max, nascido em 01/05/02 dado como desaparecido em 03/01/03
Seus olhos verdes cintilaram como nunca acontecera antes, ao olhar profundamente dentro dos meus olhos. Eu sabia que era nosso adeus, mas nada fiz além de afastar-me tanto quanto ele...
Eu estava aborrecida pois, minutos antes, ele ferira meu irmão, como sempre fazia. Agora, mais calma, tento entender qual dos dois tem mentalidade mais infantil, o gato arisco de sete meses de idade ou meu irmão que, aos trinta e cinco anos, insistia em acariciar e brincar com o gato que não gostava de ser tocado...
Era só um animal selvagem, mas eu o repreendi e o puni como se tivesse consciência de seus atos...
Em questão de segundos muda-se toda uma estória e a vida segue implacável como se não houvesse como esperar ou reparar erros. Eu tinha planos, para nosso futuro juntos, pensava nele, sempre antes de pensar em mim. Desde o café da manhã ( que tomo as duas da tarde) até entrar pela madrugada escrevendo ou respondendo emails, era sempre nele que eu pensava primeiro, de quem cuidava em primeiro lugar para depois tratar de mim. Dei-lhe até o sobrenome de minha família e o nome Máximo parecia cair-lhe muito bem. Ele sempre fazia sucesso, por onde passava era sempre o centro das atenções...
Mas, se por um lado cuidei demais, por outro criei um enorme abismo entre nós que, somente agora posso enxergar. Alimentava-se com as melhores rações e com carne de primeira, sempre bem cozida. Recebeu todas as vacinas e vitaminas nas datas e horários certos. A cada quinze dias ia ao veterinário para cortar unhas e tomar banho, voltava perfumado vestindo uma gravatinha, às vezes social em outras borboleta e fazia uma festa danada ao chegar e ser fotografado... Até ganhou presente de natal, um palhacinho que, em poucos minutos estava degolado. E eu o repreendi quando atravessou a rua e trouxe uma barata ainda esperneando para dentro de minha sala. Só depois de tanta bronca foi que entendi que era uma forma dele retribuir o presente de natal que ganhara...
Nunca consegui fazer-lhe um carinho. Nos primeiros dias de convivência, por duas vezes tentei afagar-lhe a cabeça, mas logo tentou abocanhar-me. Entendi e, sei lá se deveria entender assim, que não gostava de carinho e nunca mais tentei tocar nele. Então era sempre ele quem se aproximava de mim. Bastava ouvir minha voz para miar em várias idiomas, falava desde "miauau" até "meeel". E ainda fazia um som engraçado imitando uma arara. Era poliglota.
Andava trançando nas minhas pernas e, por vezes, quase íamos ao chão e, quando eu cozinhava ou lavava louças, ficava esfregando-se indefinidamente em minhas pernas e pulando em minha cintura, pendurando-se pelas unhas. Eu brincava dizendo que era o único gato que não largava do meu pé... Mas, enfim, ai de mim se me empolgasse e o pegasse no colo nestes momentos, pois ele mordia onde fosse possível alcançar...
Eu era sua única referência. Mostrei-lhe o tempo todo um mundinho cor-de-rosa, cheio de brinquedos e brincadeiras, onde ele era senhor de tudo, onde podia até dilacerar a mão de quem tentava afaga-lo e o máximo que acontecia era levar uma grande bronca e ficar trancado de castigo por algum tempo.
Às vezes viajávamos juntos, mas ele nunca saia de perto de mim e nunca ficávamos fora de casa por mais de vinte e quatro horas. Neste final de ano fomos ao interior. Pensei ser possível conciliar nossa vida na capital com viagens ao interior, mas enganei-me. Lá chegando, encantou-se com o mato, os bichos, a natureza enfim... E foi ai que comecei a errar cada vez mais.
Saía com meu irmão e cunhada por muitas horas, deixando-o sozinho naquele enorme quintal e, a noite ele dormia na garagem. Conheceu uns gatos selvagens e, às vezes, parecia estar namorando alguma gata, em outras vezes ferravam de briga ao ponto dele vir correndo esconder-se na casa. Em um dia chegou desesperado em mim, gesticulava, emitia vários sons, parecia querer contar algo, talvez uma aventura noturna mal sucedida, mas por mais que eu tentasse, não conseguia entender o que ele queria dizer... Acabou caindo do telhado e machucando-se. Ao pega-lo no colo para que eu pudesse cura-lo, meu irmão ganhou uma mordida que dilacerou sua mão já toda remendada por um acidente. Naquele momento eu só conseguia pensar que precisava escolher entre meu irmão e meu gato, pois os dois juntos jamais se entenderiam.
Então optei por meu irmão, briguei e bati no gato, desejei que nunca tivesse existido e que pudesse sumir da minha vida. E gritei isso para que ouvisse bem. E, infelizmente, meu desejo realizou-se. Horas mais tarde, depois de socorrer meu irmão e verificar que a mordida, apesar de muito profunda não causaria maiores danos além de mais uma cicatriz, só então lembrei-me do Máximo e fui atrás dele, mas ele já não estava em nenhum lugar onde poderia estar.
Alguém o levou para muito longe de mim e tenho a certeza de que nunca mais poderei encontra-lo. Voltei a São Paulo arrasada e o melhor que encontrei a fazer foi rever suas muitas fotografias e chorar. Seus muitos brinquedos, seus pertences coloquei para o lixeiro levar, estou doando o arranhador, que ele pouco usou, para uma amiga que tem vários gatos e certamente o aproveitará bem.
E ainda choro muito ao escrever este texto. Aliás, aproveito para desculpar-me, pois sei que este é o pior texto que já escrevi na vida. Não é um conto, não tem poesia, nenhuma informação científica e nenhum sentido lógico para existir. Se escrevo é apenas para desabafar e esperar que, de onde ele estiver, possa enxergar meu pranto e perdoar-me pela minha burrice e incompreensão para com ele.
Para dizer que nem vejo mais sentido em voltar para casa, já que não haverá ninguém à minha espera, poderei fazer todo o barulho do mundo abrindo a porta que ele não miará desesperado para me ver, não terei mais que lhe dar bronca por destruir meu sofá e todos os móveis e livros enquanto seu arranhador fica intacto, não mais derrubará minhas louças, nem pulará na máquina de lavar, tentando arrancar as roupas que rodam no visor, não mais grudará no rodo fazendo dele um carrinho enquanto passo um pano no chão, não mais derrubará quase toda a sua areia higiênica logo após eu ter lavado todo o seu quarto, não morderá na minha frente mais ninguém que lhe faça carinho e, quando eu raramente trouxer algum pretendente em casa, este não o ficará olhando com cara de nojo ou sendo mais sincero, não precisará dizer que "não gosta muito de gato"...
Aliás, uma amiga, há pouco, perguntou-me se o meu gato que sumiu é de quatro ou duas patas. Respondi que estou desesperada assim porque ele tem quatro patas, se tivesse duas eu não estaria nesta depressão toda... Porque, os homens que me desculpem, posso ainda encontrar muitos gatos de duas patas. Mas nunca mais haverá em minha vida, um gato como o Máximo...
FIM
By Lou de Olivier
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